4ª Visita ao Bairro
- 31 de mar. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de abr. de 2019
Na nossa quarta visita ao bairro, visitamos o Gabinete da Gebalis na Quinta do Loureiro e procurámos falar com alguém sobre o bairro, mas foi em vão. Por isso decidimos simplesmente passar uma tarde no bairro, e ver se conseguíamos acumular mais alguma informação dos residentes.
Passámos pelo mini-mercado do Sr. Dionísio, ele reconheceu-nos e cumprimentou-nos. Enquanto conversávamos com ele e um amigo, passou um senhor com aspeto de estar em situação de sem-abrigo, antes mesmo de este entrar ou estar perto da loja, o sócio do Sr. Dionísio esquece completamente a nossa conversa e vira toda a sua atenção para homem. Continuamos a conversar, e depois de o sem-abrigo sair da loja Sr. Dionísio explicou-nos que aquela pessoa já tinha tentado uma vez tentado roubar uma garrafa de azeite. Disse-nos então que também já lhe tinha dado uma sandes para ele comer, que sente que tem de ajudar o mais possível, e que dá comida com normalidade a pessoas naquele estado, mas que o roubo já é mesmo demasiado e não perdoa.
Depois fomos para o clube desportivo de St. António, e onde tivemos das melhores entrevistas até agora. Falámos com a senhora do balcão e a sua afilhada, eram antigas residentes do Casal Ventoso, e acham que são completamente esquecidos pela sociedade e governo, nada do que eles fazem funciona ou não tem efeito. As notícias e políticos também contam histórias muito diferentes do que se passa no bairro, especialmente agora com o 20º aniversário da demolição do Casal Ventoso. Tal como a afilhada disse: “Nós somos só números”. Há imensas rusgas no bairro, quase sempre pacíficas, é muito raro que haja rusgas ou buscas policiais com carrinha de choque, mas como elas disseram, “infelizmente as crianças é que vêm isto”. A desunião do bairro também é algo extremamente grave pelo que disseram, apesar de as pessoas discutirem à séria e ficar só assim, é como se estivessem todos contra todos.
A senhora do balcão era uma ex residente do Casal Ventoso, estava presa quando começaram a demolir o bairro, e só saiu em 2004, quando a sua casa já não existia há muito. Como ela disse: “Eu também não sou santa, já errei, mas sem apoio nenhum e a piorarem a nossa vida desta forma, como é que é suposto o mais novos melhorarem”. Ela tinha uma filha na altura (agora um netinho), e quase 15 anos depois, ainda não tem casa dada pela câmara nem compensação qualquer. Só porque os residentes de um dos apartamentos que conhecia faleceram, e conseguiu as chaves, teve casa para a sua filha.
Até a este dia, toda a burocracia que a câmara a fez passar não lhe deu em nada, e uma assistente social do Projeto Alkantara chegou-lhe mesmo a dizer para ir a um abrigo, sabendo da filha. Ela respondeu “Então mande a sua mãe para um abrigo”. A polícia já foi ao seu apartamento e confirmou que estava tudo em ordem e em condições para menores viverem, mas ainda não é a sua casa oficial.
A sua filha tem um Curso Superior, tem trabalho, e o seu neto também tem todas as condições que precisa para uma infância saudável. Parece que todos os problemas da sua vivência existem só por ser daquele bairro, como se a sombra do Casal Ventoso não a deixasse em paz. Só fica feliz, por saber que a sua filha está a viver ao máximo, e que ela e o seu neto não têm a sombra sobre eles.









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