Perceção geral do bairro
- 31 de mar. de 2019
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A Quinta do Cabrinha é um bairro com imensas contradições, problemas, e com uma sombra enorme de onde os residentes eram antes da sua construção. Esta sombra ainda hoje assombra o bairro, e o legado do seu antigo bairro ainda é responsável pelas misérias, estigmas, e falta de soluções para a Quinta do Cabrinha.
O bairro não é propriamente amigável para visitantes. Isto não quer dizer que um não residente seja atacado ou expulso do bairro, mas há uma clara perceção de invasão do espaço quando se entra naquele bairro pela primeira vez. As nossas primeiras visitas foram realmente difíceis por essa razão, o ambiente pesado e fechado do bairro é algo próprio da Quinta do Cabrinha.
Apesar deste ambiente e isolamento do resto da cidade, as pessoas são extremamente pacatas, mas não tão socializáveis (outra vez, o ambiente fechado). O grupo de pessoas que ao qual tivemos uma clara dificuldade com falar forma os adultos, 2ª idade. Adultos por si só já são o grupo mais difícil de falar, mas aqui também são o grupo de pessoas menos fáceis de ganhar confiança. Os de 3ª idade mostravam-se muito mais abertos, mas mesmo assim, os que tinham histórias mais penosas e desconfiança, eram difíceis de iniciar uma conversa.
Falando das associações, o bairro tem um grande número de sedes de instituições solidárias e associações de ajuda social. As instituições sempre se mostraram extremamente abertas e disponíveis para falar e discutir sobre o bairro. Não mentem que têm problemas em resolver grandes obstáculos do bairro, mas afirmam que têm resultados, e apesar de nem toda a gente participar ou ajudar na prática das instituições, a população toda aceita e não se importa com o que estas instituições estão a fazer. Criticam as instituições e queixam-se de certos aspectos, mas acham bem que exista.
É importante dizer que as instituições que estou a falar são as privadas, ou de concurso. A população em relação ao ato governamental, tem um grande descontentamento. Acham que são ineficazes, que negligenciam a comunidade e que não querem saber da população. O bairro não tem quase nenhuma manutenção, e quando há arranjos voltam ao mesmo poucos dias depois, especialmente com os elevadores.
Confirma-se com as conversas que tivemos que o bairro tem um grande problema de desunião. Como uma residente referiu, a recolocação do Casal Ventoso misturou as pessoas “boas” e “más”, separou vizinhanças já com muitos anos, e isolou quem só tinha a companhia do bairro. O Casal Ventoso tornou-se inabitável, como nos disseram vários residente, mas é devido à amizade, união e apoio que lá se sentia e que se perdeu no realojamento, que tantas pessoas têm saudades do antigo bairro.





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